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Na mídia 24 abr 2014

Globo Esporte: Ayrton Senna em quadrinhos

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Rafael Lopes, no Globo Esporte

20 anos após o acidente na curva Tamburello, Ayrton Senna continua sendo muito lembrado pelos fãs de automobilismo e pelo público brasileiro. Como parte da campanha “Ayrton Senna Sempre”, vários produtos com a marca do tricampeão estão sendo lançados em 2014. E confesso que esse aqui foi um dos que mais me chamou a atenção. A Editora Nemo lança neste mês o livro “Ayrton Senna: a Trajetória de um Mito”, que conta a história do piloto brasileiro por meio de histórias em quadrinhos.

A ideia nasceu do trio de autores europeus Lionel Froissart (francês), Christian Papazoglakis (belga) e Robert Paquet (também belga). Froissart, inclusive, foi amigo de Senna e está em seu terceiro livro sobre o piloto brasileiro. O álbum começa com a primeira corrida na chuva de Senna, ainda no kart. Depois do flashback, o leitor é levado para o GP de Mônaco de 1984, ano de sua estreia na Fórmula 1. Debaixo de chuva e com a Toleman, ele dá show. Ultrapassa vários adversários, assume a segunda posição. Quando faltava apenas o líder Alain Prost, da McLaren, a corrida foi paralisada.

Todos os episódios marcantes da carreira de Senna estão lá: a vitória dramática do piloto no autódromo de Interlagos em 1991; as polêmicas com Prost nos GPs do Japão e a conquista do tricampeonato mundial naquele país onde, até hoje, ele é idolatrado. Uma boa ideia para aproximar a história de Ayrton Senna das novas gerações, principalmente daqueles que não conseguiram vê-lo correr na Fórmula 1.

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Na mídia 24 abr 2014

O Dia: Eterno Shakespeare

Obra do escritor inglês ganha novas adaptações na comemoração dos 450 anos de seu nascimento

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Katia Saisi em O Dia

Willian Shakespeare é um dos mais célebres escritores da história. Nasceu em Stratford-upon-Avon, Inglaterra, em 23 de abril de 1564 e morreu 52 anos depois, exatamente no dia 23 de abril na mesma cidade. Autor de tragédias, comédias, poesia e peças históricas, criou os mais influentes personagens de toda história e é considerado um dos maiores escritores de todos os tempos. Suas obras são carregadas de reflexões e hoje permanecem tão relevantes quanto na época em que foram escritas.

Ao longo desses quatro séculos, sua obra vem encantando, ensinando e emocionando plateias e leitores de diferentes gerações ao redor do mundo. Contudo, ela foi escrita em outra época, quando os valores, a vida cotidiana, as relações e a linguagem eram completamente diferentes da realidade do mundo moderno. Recentes lançamentos, entretanto, resgatam para o público atual toda a dramaticidade que seu texto carrega.

Nesta semana, em que se comemora em todo o mundo os 450 anos de seu nascimento, aqui no Brasil vários títulos se inspiram no escritor inglês. São releituras, adaptações e quadrinhos, que eternizam as palavras do grande bardo, como ele ficou conhecido.

2Shakespeare e elas

Com o objetivo de aproximar Shakespeare do leitor brasileiro, especialmente do público jovem, as autoras Lycia Barros, Janaina Vieira e Laura Conrado apresentam, em “Shakespeare e elas: Clássicos do grande bardo reescritos por elas” (254 páginas, R$ 37,00), lançamento da Editora Autêntica, três de suas mais famosas peças adaptadas à contemporaneidade, sem perder a essência da versão original.

Na versão da trágica peça “Otelo, o mouro de Veneza”, feita por Janaina Vieira, Otelo é um importante diretor da GB Engenharia e se apaixona pela estagiária Diana, filha do senador Bernardo, amigo de Túlio, CEO da empresa. Também funcionário na firma, Tiago, desde a faculdade, conhece Otelo, que sempre o ajudou; mas, com a promoção de Carlos para primeiro executivo e assistente da equipe do diretor, cargo que desejava, ele começa a manipular as pessoas, criando um jogo de intrigas extremamente destrutivo, tendo o ciúme como elemento principal e, como pano de fundo, o mundo dos negócios.

Em “Sonho de uma noite de verão”, Laura Conrado conta a história de Sandro e Débora, um casal apaixonado que foge para poder vivenciar o amor, proibido pelo pai da garota, Emílio. Para isso, passam a noite na floresta próxima ao município de Atenas, na região de bonito, Mato Grosso do Sul.

Dênis, pretendente de Débora, vai atrás deles com Helen, que o ama, iniciando-se uma noite mágica cheia de reviravoltas. Personagens do folclore brasileiro como o Boto, a Iara e o Saci participam dessa fantástica trama.

Lycia Barros é quem adapta “Romeu e Julieta”, talvez a obra mais famosa de Shakespeare. Nela, é retratado o amor proibido de Renan e Juliana, pertencentes, respectivamente, às famílias rivais Carvalho Rodrigues e Queiroz, que disputam o poder em Pouso Alto, Minas Gerais. Nesse contexto de ódio que agita a pacata cidade, o jovem casal se opõe às imposições familiares. Encontrando-se às escondidas, os dois vivem essa grande paixão até conseguir um plano para ficarem juntos.

A eterna obra do escritor inglês ganha, em “Shakespeare e elas”, um novo olhar de três diferentes escritoras, que atualizam o texto de uma perspectiva absolutamente brasileira.

Quem são elas

Janaina Vieira começou a escrever poemas, contos e crônicas, desde muito jovem, fando mais tarde na literatura para crianças e adolescentes. Foi duas vezes premiada pela União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ). Seu livro “If the baby comes” já foi publicado em inglês pela editora Readworthy (Índia), que publicará também “Folktales from Brazil”, para crianças de 8 a 12 anos. Pela Canary Books (Índia), será lançado “Seven Fantastic Tales” em 2015.

Laura Conrado é ganhadora do Prêmio Jovem Brasileiro como destaque na Literatura em 2012. Seu livro “Freud, me tira dessa!” foi considerado o melhor livro nacional do gênero chick-lit, segundo o voto popular, pelo Destaques Literários 2012. A repercussão do título inspirou a série “Freud, me tira dessa!” teen, cujo primeiro volume é “Só gosto de cara errado”.

Lycia Barros lançou seu primeiro romance em 2010. No ano seguinte, suas obras foram indicadas para vários prêmios literários no Brasil e, devido a sua popularidade, Lycia foi a apresentadora âncora da primeira edição do evento literário Codex de Ouro e ganhadora do prêmio em 2013 na categoria romance.

3Coleção Shakespeare em Quadrinhos

Os amantes das HQs vão se deliciar com as adaptações de clássicos do dramaturgo inglês William Shakespeare, integrantes da Coleção Shakespeare em Quadrinhos, lançadas pela Editora Nemo.

São seis títulos (64 páginas, R$ 39,00 cada), recriados por quadrinistas brasileiros, que preservam a riqueza do texto original, com suas narrativas de cunho fantástico, repletas de espíritos e criaturas mágicas, sentimentos como o amor e a inveja, conspirações oportunistas, jogos de poder, ambições, mas também dor e reconciliação, características das tragédias shakespearianas. São álbuns que trazem para o leitor atual toda a complexidade das intrigas e romances de um dos mais brilhantes escritores ocidentais.

Em “A Tempestade”, última obra teatral de Shakespeare, o leitor vai se deparar com a sede de vingança de Próspero. Após sofrer um golpe, perder seu posto de duque de Milão para seu irmão, Antônio, ser jogado à deriva no mar e se salvar em uma ilha deserta, Próspero vai lançar mão de todo o conhecimento que dispõe, e até da inocência de sua filha, para arquitetar sua retaliação.

Por meio de magia, o ex-duque manipula espíritos, a fim de aproximar seus inimigos da ilha e enlouquecê-los. Mas, para que sua volta ao poder dê certo, ele também terá que contornar Caliban, um ser primitivo, monstruoso, que já vivia na ilha muito antes de sua chegada. Com roteiro de Lillo Parra e desenhos de Jefferson Costa, a obra ganhou em 2013 o 25º Troféu HQ MIX, o “Oscar” dos quadrinhos, na categoria “Adaptação para os Quadrinhos”.

Já “Macbeth”, com roteiro de Marcela Godoy e desenhos de Rafael Vasconcellos, relata a vida do guerreiro que dá nome à narrativa. A Escócia e a Noruega estão em guerra, e o rei da Escócia, Ducan, envia à batalha Macbeth, um de seus soldados preferidos por sua lealdade e eficiência.

Um dia, porém, este guerreiro e o general Banquo se deparam com três bruxas que revelam uma perigosa profecia, a de que Macbeth se tornaria rei e que os filhos de Banquo tomariam o trono posteriormente. Confuso, o protagonista relata o encontro à sua mulher. Ambiciosa, a Senhora Macbeth planeja sua chegada ao poder e, com sua alta capacidade de persuasão, leva seu marido a cometer o assassinato do rei, o que desencadeia uma reviravolta em sua vida e na corte escocesa.

Assim como outros títulos de Shakespeare, a adaptação de “Otelo”, no roteiro assinado por Jozz com desenhos de Akira Sanoki, é recheada de romance e intrigas em um drama eletrizante. A grande história de amor entre um mouro e uma moça da sociedade de Veneza passa por problemas quando o vilão Iago se utiliza de maledicências para deixar o general Otelo louco de ciúmes de sua mulher, Desdêmona.

Quando conhece Desdêmona, filha do Senador Brabâncio, Otelo logo se apaixona. Como seu amor é correspondido pela moça, em pouco tempo se casam, mesmo sem a aprovação do pai dela, que não aceitava o casamento com um negro. No dia das bodas, Otelo é convocado pelo duque para comandar as tropas em uma guerra contra os turcos. O general pede então a Iago que acompanhe Desdêmona até a Ilha de Chipre, onde irá encontrá-la. O traiçoeiro Iago, porém, age de má fé com o casal apenas para conseguir o lugar do tenente Cássio, o qual usa como estopim para causar o ódio de Otelo. A partir daí, o desenrolar da história é repleto de armações feitas por Iago para destruir o casal e, por consequência, o tenente Cássio.

A história do “Rei Lear”, que dividiu seu reino e enlouqueceu ao ver a ganância de suas herdeiras, é traduzida para os quadrinhos no roteiro de Jozz e desenhos de Octavio Cariello. Pintada em arte digital, a história ganha vida de quadro a quadro, envolvendo os leitores nas intrigas, dramas e paixões desta grande obra shakespeariana.

Idoso e cansado, Lear decide dividir seu reino entre as três filhas: Goneril (esposa do duque de Albany); Regan (esposa do duque da Cornualha); e a caçula Cordélia (que tinha por pretendentes o rei da França e o duque da Borgonha). Para calcular a partilha, pede às filhas que expressem a gratidão e o amor que sentem pelo pai. Goneril e Regan fazem discursos aduladores. Cordélia, no entanto, diz que o ama “como corresponde a uma filha, nada mais, nada menos”; irritado com a resposta, Lear deserda-a e expulsa-a do reino, que é dividido entre as irmãs mais velhas. Não satisfeitas, as herdeiras ainda armam um plano que levará o pai à loucura. A intriga, a inveja e a cobiça que envolvem Lear afetam também outros personagens. O conflito é crescente e intenso, culminando com a punição da maldade, mas sem deixar de lado um desfecho propriamente trágico.

A história de amor mais conhecida de todos os tempos ganha edição brasileira em quadrinhos com estilo mangá. Com o talento da roteirista Marcela Godoy e desenhos de Roberta Pares, “Romeu e Julieta” recebe uma adaptação jovem e atualizada, sem perder o lirismo dos belos diálogos shakespearianos. O jovem casal e seu amor imortal ganham nova forma, que ilustra uma das mais trágicas histórias de amor já contadas.

Nascidos em duas famílias rivais de Verona, Julieta Capuleto e Romeu Montéquio se apaixonam desde o primeiro momento em se veem. Apesar do amor proibido, os amantes se casam com a ajuda de Frei Lourenço e começam a viver os obstáculos causados pela guerra entre Capuletos e Montéquios. A história se desenrola em tragédias seguidas e emocionantes.

O enredo do clássico “Sonho de uma noite de verão” gira em torno de dois casais: Hérmia, prometida a Demétrio, mas apaixonada por Lisandro, e sua amiga Helena, que já foi namorada de Demétrio e ainda o deseja. Ao tentarem fugir de Atenas, Hérmia e Lisandro se encontram no bosque onde também estão Demétrio, furioso atrás da noiva, e Helena, que não consegue se desgrudar do amado. Após um mal entendido, o servo duende Puck acaba causando uma grande confusão quando obedece as ordens de seu rei, Oberon. Ao invés de fazer com que Demétrio se apaixone por Helena, Puck acaba deixando com que Lisandro se apaixone pela moça.

Além do núcleo jovem e amoroso, outras histórias permeiam o enredo, como a disputa entre o rei dos duendes, Oberon, e sua esposa, a rainha das fadas, Titânia. Fazendo jus ao gênero da obra original, a comédia, há também personagens populares que, de maneira divertida, tentam montar uma peça para ser apresentada no dia do casamento do duque Teseu. As confusões causadas pelo erro do duende e pelo amor estão apenas começando. A fiel adaptação de Lillo Parra com desenhos de Wanderson de Souza diverte tanto os que já conhecem a história, como os que tomam contato pela primeira vez com esse clássico da literatura universal, com destaque para a narrativa dinâmica e o visual moderno dessa bela HQ.

Além da Coleção Shakespeare em Quadrinhos, a Editora Nemo lançou também o álbum “Hamlet de William Shakespeare”, com tradução e roteirização de Wellington Srbek, desenhos e cores de Alex Shibao.

4Hamlet de William Shakespeare

“Ser ou não ser?” A antológica frase no monólogo do príncipe dinamarquês Hamlet, em uma das mais importantes peças do escritor inglês William Shakespeare, atravessou os séculos e ainda hoje é referência como expressão da angústia humana. Escrita no século XVI, a tragédia “Hamlet” continua sendo encenada em todo o mundo e já foi adaptada para diferentes formatos e mídias, ganhando agora uma fiel versão em quadrinhos.

O rei da Dinamarca morre em circunstâncias suspeitas. Em menos de dois meses, seu irmão, Cláudio, casa-se com sua viúva, a rainha Gertrude, e passa a ocupar seu trono. Desolado com a morte do pai e a indiferença da mãe, o príncipe Hamlet vaga pesaroso pelo castelo. Numa noite, porém, o espírito do falecido rei aparece e anuncia ao filho que fora envenenado pelo próprio irmão e que seu assassinato deveria ser vingado. Mergulhado em dúvidas e em meio a intrigas palacianas, traições e incidentes, o angustiado príncipe Hamlet irá desafiar os limites da razão numa busca obstinada por verdade e justiça. Tudo isso somado às reviravoltas e surpresas no melhor estilo de um enredo shakespeariano.

Esta versão em quadrinhos mantém toda a dramaticidade da obra original, explorando os complexos temas da traição, vingança, corrupção e moralidade, que revelam a própria natureza humana e permanecem tão relevantes quanto na época em que a peça foi escrita. Buscando ressaltar o dinamismo da obra original, o roteiro de Srbek resgata os ricos diálogos de Shakespeare que, mesclados aos expressivos desenhos de Shibao, apresentam numa roupagem literalmente moderna um dos maiores clássicos da literatura universal.

Quadrinistas brasileiros

Tanto os seis títulos da Coleção Shakespeare em Quadrinhos como “Hamlet de William Shakespeare” são adaptações 100% nacionais, que envolveram um time de profissionais brasileiros de primeira linha, cada um com seu estilo próprio.

Alex Shibao nasceu em São Paulo em 1982, é formado em Desenho Industrial pelo Mackenzie.

Após se formar, entrou para o mercado de quadrinhos, e logo depois seguiu o caminho de ilustrador, trabalhando para revistas de games e design. Atualmente, além de quadrinista, é professor na Quanta Academia de Artes. É o desenhista de “Hamlet de William Shakespare”.

Akira Sanoki trabalha com ilustrações desde que se formou em Artes Plásticas. Apaixonado pela arte de contar histórias, Akira já produziu animações para comerciais de TV, DVDs e curtas. Criou a Revista Subversos junto com amigos. É o desenhista de “Otelo”, da Coleção Shakespeare em Quadrinhos.

Jefferson Costa nasceu em São Paulo em 1979. É casado e tem três filhos. Ilustrador e quadrinista, adaptou para os quadrinhos o livro “Kiss me Judas”, além de participar de diversas outras publicações, entre elas, os álbuns “Quebra Queixo Technorama I, II e III”, revista Front e a coletânea Bang Bang. Às suas diversas habilidades se acrescenta a antiquíssima arte de fazer mamadeiras e trocar fraldas na madrugada. “A Tempestade” foi seu primeiro álbum pela Editora Nemo.

Jorge Otávio Zugliani (Jozz) nasceu em Jaú em 1983. Cursou Design Gráfico no Mackenzie e faz pós-graduação em Design Editorial no Senac. Estudou na Quanta Academia de Artes e trabalha com ilustração, quadrinhos e design editorial. Ganhou o Troféu HQ MIX na categoria Desenhista Revelação em 2008. É autor de “O Circo de Lucca” e “Menthalos”, bem como dos roteiros de “Otelo” e “Rei Lear”, da Coleção Shakespeare em Quadrinhos.

Lillo Parra nasceu em São Paulo em 1972 e, desde os 17 anos, faz teatro. Em 2000 entrou para o Teatro Popular União e Olho Vivo no qual encenou peças como João Cândido do Brasil – A Revolta da Chibata. Apaixonado por quadrinhos, Lillo criou o blog Gibi Rasgado. Roteirizou dois títulos da Coleção Shakespeare em Quadrinhos: “A Tempestade” e “Sonho de uma noite de verão”.

Marcela Godoy nasceu em são Paulo em 1973. É escritora, roteirista e tradutora. Cursou Tradutor-Intérprete e História. Hoje, dá aulas de Técnicas de Escrita e Composição para Histórias em Quadrinhos e Literatura. Tem muitos trabalhos publicados, com destaque para os romances “Liah e o relógio” e “O primeiro relato da queda de um demônio”, além da história em quadrinhos “Fractal”.

Assina os roteiros de “Macbeth” e “Romeu e Julieta”, da Coleção Shakespeare em Quadrinhos.

Octavio Cariello é ilustrador, escritor, tradutor e fotógrafo. Graduou-se em letras pela FFLCH-USP.

Teve dois romances publicados no Brasil, “A Tríade” (escrito em parceria com Carlos Andrade, Claudio Brites e Kizzy Ysatis) e “Tueris”. Em 1992, ganhou o troféu HQ MIX de “Melhor Desenhista Nacional”. Trabalhou para várias editoras no Brasil e nos Estados Unidos. É professor na Quanta Academia de Artes. Para a Coleção Shakespeare em Quadrinhos, desenhou “Rei Lear”.

Rafael Vasconcellos nasceu na cidade de São Mateus no Espírito Santo em 1987. É graduando no curso de Artes Plásticas na UFES, e começou a atuar com histórias em quadrinhos em 2009, na publicação independente Almanaque Gótico #2. Em 2010, escreveu e desenhou Cecille\Veronika, história publicada pela Secretaria de Cultura do Espírito Santo. Participou também da Revista A3, do Almanaque Gótico #3 e desenha a minissérie Ditadura No Ar, assinando com o pseudônimo Abel. É o desenhista de “Macbeth”.

Roberta Pares é formada em Administração, mas atua profissionalmente como desenhista desde 2001 quando estreou na revista Tsunami. Participou de outras revistas e almanaques inclusive internacionais. Fez também parte da coletânea MSP Novos 50. É a desenhista de “Romeu e Julieta”.

Wanderson de Souza nasceu em São Paulo em 1980. É ilustrador e quadrinista, além de professor de quadrinhos. Entre seus trabalhos, estão participações nas coletâneas Front, Quadrinhópole, Café Espacial e Nanquim Descartável. Para a Coleção Shakespeare em Quadrinhos, desenhou “Sonho de uma noite de verão”.

Wellington Srbek nasceu em Belo Horizonte em 1974, é formado em História, mestre e doutor em Educação pela UFMG. Pesquisador e professor de quadrinhos, recebeu os principais prêmios nacionais como roteirista e editor de HQs. Entre seus trabalhos mais conhecidos, estão o álbum “Estórias Gerais” e a série Solar. É o editor responsável pelas publicações da Editora Nemo, tendo produzido o roteiro da adaptação “Hamlet de William Shakespeare”, entre outros.

Geral 24 abr 2014

Revista Racing: F1- Lançada HQ sobre Senna no Brasil

A editora Nemo lança no Brasil a HQ sobre a trajetória do brasileiro Ayrton Senna, morto à 20 anos durante o GP de Ímola.

Ayrton Senna - A trajetório de um mito (foto: divulgação)

Ayrton Senna – A trajetório de um mito (foto: divulgação)

Vitor Garcia, na Revista Racing

Os fãs do tricampeão Ayrton Senna poderão matar a saudade do piloto com a HQ que conta sua trajetória lançada no Brasil pela editora Nemo.

Criada pelo jornalista francês Lionel Froisart, amigo pessoal de Senna e especializado em esporte à motor, conta com ilustrações dos belgas Christian Papazoglakis e Robet Paquet, também especializados em ilustrar histórias de carros e velocidade.

A obra começa com a primeira corrida na chuva, ainda no kart e sua obstinação em melhorar sempre; após isso o leitor é levado para o GP de Mônaco de 1984, corrida marcada como cartão de visitas do brasileiro e do que ele poderia fazer sob pista molhada.

Com um acabamento detalhado e traço minucioso, os desenhos da HQ capturam o dinamismo e toda a emoção que as corridas envolvendo Senna proporcionavam ao público. Episódios inesquecíveis ganham vida a cada quadro. O dramático triunfo do piloto no Autódromo de Interlagos em 1991; as polêmicas com Prost nos GPs do Japão e a conquista do seu tricampeonato mundial naquele país onde, até hoje, ele é idolatrado.

A obra conta ainda os incentivos e ensinamentos do pai de Senna, Milton da Silva, e curiosidades de sua carreira, como a sua primeira vez no volante de um carro de Fórmula 1 e a relação e solidariedade com outros pilotos brasileiros como Rubens Barrichello, Chico Serra e Emerson Fittipaldi.

As compras da HQ “Ayrton Senna – A trajetório de um mito” podem ser feitas no site da editora: http://www.grupoautentica.com.br/

Na mídia 24 abr 2014

Revista Cult: Freud e o aparelho de linguagem

“Sobre a concepção das afasias: um estudo crítico”, escrito em 1891, ganha tradução direta do alemão

Sigmund Freud

Maria Rita Salzano Moraes, na Revista Cult

Durante muito tempo inadequadamente considerado “pré-psicanalítico” e, por consequência, de menor interesse para a psicanálise, Sobre a concepção das afasias: um estudo crítico (Freud [1891] 2013), finalmente é publicado no Brasil. A tradução direta do alemão realizada por Emiliano de Brito Rossi para a Coleção Obras incompletas de Sigmund Freud (ed. Autêntica) traz-nos, em uma leitura rigorosa, os primórdios da reflexão crítica de Freud sobre linguagem, com afirmações e propostas desconcertantes até para os dias atuais.

Mesmo sem possuir uma pesquisa própria sobre o assunto, Freud decide, em 1891, investigar a literatura sobre as afasias (Wernicke, Broca, Meynert, entre outros) para introduzir um avanço na discussão da época.

Na literatura médica sobre a afasia, até 1891, a faculdade da linguagem articulada estava localizada nos lobos anteriores do cérebro. Broca e Wernicke definem a correlação precisa das perturbações da linguagem com regiões determinadas no cérebro: enquanto as imagens mnêmicas dos movimentos da linguagem são conservadas no centro motor (área de Broca), as imagens sonoras são armazenadas no centro sensorial (área de Wernicke). As lesões ocorridas em um desses centros resultam, respectivamente, em afasia motora ou sensorial. Além da afasia decorrente de uma lesão central, Wernicke propõe ainda uma afasia de condução, a parafasia, resultante da lesão nas vias de associação entre os centros.

Nesse ensaio, Freud percorre e analisa inúmeros casos de perturbações da linguagem descritos segundo a concepção de autores cujo trabalho ele toma como ponto de partida e analisa resultados de casos cujos sintomas, além de se revelarem incompatíveis com a teoria proposta por esses autores, demonstram a impossibilidade de uma explicação baseada inteiramente na hipótese da localização anatômica. A partir dos casos em que não se podem explicar os distúrbios da linguagem localizando pontualmente o correspondente fisiológico da representação no cérebro, Freud os avalia como resultado de complexos processos associativos que se estendem além dos assim chamados centros da linguagem.

Palavra, ponto nodal

Ao propor a divisão da palavra em representação de palavra e associações de objeto, Freud retira a representação de sua unidade psicológica e a transforma em uma entidade lógica e dialética. A representação deixa de representar o objeto, para se tornar a diferença entre séries de processos. Não se trata, portanto, da diferença entre entidades previamente existentes, mas de um processo de diferenciação como princípio de constituição desse aparelho.

À palavra corresponde uma associação de imagens mnêmicas auditivas, visuais e motoras e seu significado se constrói na articulação da imagem acústica da representação de palavra com as imagens visuais das associações de objeto. As associações de objeto, por sua vez, não constituem, para Freud, o objeto ou a coisa externa, a referência, mas sinais de uma percepção difusa. Porém, o fundamental dessa proposta é que à palavra é dada a possibilidade (por sua constituição complexa) de ser sempre um ponto nodal, e facilitar o deslocamento no caminho das associações do falante, proporcionando os disfarces da ambiguidade e da condensação.

Não existe, então, um campo da linguagem antes de haver linguagem, ou que não seja construído por linguagem. Não há, portanto, nessa concepção do aparelho de linguagem, nada da ordem da mecânica de uma causalidade. Freud já está trazendo uma dinâmica da simultaneidade na constituição desse aparelho. As diferenças na associação desses elementos visuais, auditivos e motores constituem as representações. É importante lembrar que a representação não pode ser, na proposta de Freud, anterior à associação. A representação não é uma unidade constituída que se associa a outras unidades por somação. A lei da associação, ou sua razão, é a simultaneidade. Ao dizer que “não podemos ter sensação alguma sem associá-la imediatamente” (p. 80), Freud está passando a limpo toda a teoria da percepção, da associação, para dizer que não há nada fora da linguagem.

Resenhas 24 abr 2014

Livro sobre Livro: “‘Minha metade silenciosa’ discute temas fortes, sérios e necessários”

1Ronaldo Gomes, no Livro sobre Livro

Se tem uma coisa que eu preciso falar – ou escrever – antes de colocar em palavras os sentimentos que me acometeram durante a leitura deste livro, é que Andrew Smith é um autor que consegue – de uma maneira bem particular, é verdade – colocar sentimentos verdadeiramente cruéis em sua narrativa – ao menos neste livro. Preciso dizer isso porque não foram muitas as histórias que me pareceram tão cruéis, mas ao mesmo tempo temperados com sentimentos tão bons e esperançosos. O autor, que de longe se saiu melhor do que o esperado ao escrever esta história que a sinopse poderia sugerir ser ‘clichê’, me deu novas perspectivas de vida, sofrimento, amor, amizades e acima de tudo, esperança. Minha Metade Silenciosa é uma ficção tão real quanto à própria estrutura física do livro. E isso é apenas um elogio que não se pode comparar ao que a história realmente é.

A história do garoto Stark – chamado e conhecido por Palito – é mesmo bem triste. Não apenas triste, mas um golpe de ‘não sorte’ bem cruel. Contada pelo próprio, ao abrir o livro, o leitor já vai se deparar com uma narrativa bem crua, sem pudores e totalmente permeada por doses exageradas de sentimentos – de uma maneira positiva – tanto bons, quanto ruins. O modo como o Stark conta sua história é também outra particularidade da narrativa: ele oferece pausas necessárias para que o leitor ouça o mundo como ele próprio o ouve.

Calma, eu explico. O menino só tem um ouvido. O seu direito é apenas uma ‘forma de orelha’ comprimida contra sua cabeça. Ele não tem a orelha direita e não ouve nada por esse lado. Ou seja, sua única forma de ouvir o mundo é com seu ouvido esquerdo e isso dá ao garoto alguns poucos momentos de silêncio que ele faz questão de que sejam ouvidos por quem se deu a oportunidade de ler.

Stark nasceu numa família complicada e as únicas pessoas no mundo que parecem se importar com ele é sua amiga Emily e seu irmão Bosten – este último o verdadeiro companheiro do garoto. Ele tem pais que fumam, bebem e batem nele com a mesma frequência. A vida dele parecia seguir uma rotina dolorosa até o dia que Bosten resolve começar a quebrar as regras e levar o menino para algumas ‘aventuras’ proibidas.

Só que essas aventuras trariam consequências que marcariam ainda mais a falta de um lar e de ‘pessoas que se importassem’ na vida de Stark. Mas não é só isso. O garoto ainda nutre um sentimento confuso pela amiga Emily – e tem de lidar com isso da melhor maneira que um garoto de 13 anos lidaria. Ele não sabe o que fazer, mas sabe que Emily é alguém que ele quer sempre ter por perto.

Em meio a tudo isso, Stark se vê num mundo conturbado e cheio de brigas, preconceitos – basicamente por ele ter essa ‘deficiência’ – e de coisas que parecem valer minimamente a pena, como a proteção de Bosten e o amor de Emily.

Tudo muda quando ele e o irmão são mandados para a casa da tia Dahlia. O que os irmãos não esperavam era que lá, nas praias californianas e na casa aconchegante de um parente distante, eles fossem encontrar um lar. Um lar de verdade, com uma tia amorosa, uns amigos surfistas super maneiros e uma esperança em meio ao caos que é a casa deles. E tudo torna a mudar quando Bosten foge de casa depois de uma briga com o pai. É aí que se inicia uma busca frenética, desesperada e que reserva grandes surpresas para Stark.
Falando assim pode parecer um pouco ou exageradamente simples, mas acredite em mim, não é. O livro é complexo e cheio de situações embaraçosas que deixam no leitor a sensação de que ‘eu preciso fazer alguma coisa’. Apesar de ter apenas 13 anos, o Stark – embora ele se coloque como ‘Palito’ o tempo todo – é um adolescente muito forte. E a característica mais marcante do personagem é essa vontade de mudar misturada com medo.

O desenvolvimento do livro traz os pormenores da amizade e companheirismo entre Stark e Bosten. Das aventuras, frustrações, segredos e dos sonhos compartilhadas. E essa amizade é tão bonita! Bosten, a seu jeito, defende Stark de todos que o olhem torto ou façam piada da situação do garoto; a forma como ele se sente em relação ao mundo e ao irmão mais novo é indescritível. Já o Stark ama o irmão tão incondicionalmente que não o nega nada, nem mesmo a oportunidade de Bosten consumir drogas para fugir de todo o sofrimento. O menino parece encarar o mundo a sua própria maneira, sem pudores, dirigindo carros, parecendo forte, tentando se convencer de que é feio, mas que no fundo sabe que é alguém que quer ser apenas comum e ter pais comuns; viver uma vida ‘comum’.

Minha Metade Silenciosa discute temas fortes, sérios e que vêm se tornando necessários. Eles vão desde a negligência dos pais, até a sexualidade, puberdade, consumo de drogas e a descoberta do próprio corpo. E o autor soube trazer essas discussões à tona aos poucos e de uma maneira bem estruturada, concreta e verossímil. Ao longo das páginas, Andrew Smith se mostra mestre na arte de chocar o leitor e fazê-lo pensar. E não é apenas isso: ele oferece a oportunidade do leitor se envolver tão profundamente a ponto de querer, de alguma forma, mudar o rumo da história.

Resumi-lo num livro ‘triste’ seria um exagero. São tantas as pessoas boas que o Stark descobre. É um mundo tão cheio de possibilidades e sem regras tão severas e punições tão dolorosas fora de casa. Assim como aos pouquinhos o autor dá ao protagonista a chance de um sofrimento que dependendo de cada um é necessário ou não, ele também oferece a Stark pessoas boas e comuns que querem apenas ajuda-lo sem esperar nada em troca. Andrew Smith oferece esperança tanto ao seu personagem, quanto ao seu leitor.

Quando cheguei à última página do livro, ao ponto final, toda a história do Stark passou-se pela minha cabeça. Toda sua trajetória, suas desilusões, seus sonhos, as pessoas, o caminho percorrido, as barbaridades necessárias para talvez encontrar o Bosten depois d’ele fugir. E por fim o que eu pude perceber foi que ele nada mais era do que um garoto comum, com uma imensa capacidade de amar e a inocência de alguém que tem esperanças. E embora não totalmente inocente com relação à vida, ele ainda estava bem longe de saber ‘como as coisas realmente são’.

Se me pedissem para resumi-lo em uma única palavra eu diria que o livro é incrível. Incrível. Ainda assim, acredito que ele esteja acima desse adjetivo. Muito acima.

Boa Leitura!

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